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Perda auditiva: um problema de saúde pública Voltar

Data: 21/10/2013

Fonte: O Globo Online

Mais de 300 milhões de pessoas são afetadas no mundo; ruído e cigarro são grandes vilões

A perda auditiva se tornou um problema de saúde pública. Foi com tal constatação que o cardiologista Cláudio Domênico abriu o Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar sobre surdez, realizado na Casa do Saber na última quarta-feira, em um alerta para evidenciar a dimensão do problema. No mundo, 300 milhões de pessoas apresentam alguma perda auditiva. E esse dado não leva em consideração a quantidade de pessoas que não ouve, ou não compreende o que ouve, e não procura um médico.

Aí começa o problema, segundo o otorrinolaringologista Jair de Castro:
- Dados da Associação Brasileira de Otorrinolaringologia apontam que as pessoas demoram cerca de sete anos para procurar um especialista após perceber algum problema de audição, e mais dois para escolher um tratamento. Isso tem um impacto direto na recuperação do dano.

As causas da perda auditiva são muitas. Vão desde problemas genéticos e certas condições maternas durante a gravidez, como a rubéola e a sífilis, até o uso de medicamentos ototóxicos, como alguns tipos de antibiótico. Mas o que mais preocupa os especialistas é o volume do ruído a que as pessoas estão expostas, principalmente a música.

- O fone de ouvido é um problema sim, mas também não acredito que seja o maior vilão, se a pessoa tomar certos cuidados. Pela norma regulamentadora, 85 decibéis é o limite para você ter uma exposição de oito horas por dia. Depois disso, a proporção vai diminuindo drasticamente - explica a fonoaudióloga Márcia Cavadas. - Ou seja, com apenas um decibel a mais, seria preciso reduzir em cerca de uma hora o tempo de exposição diário. Para que não haja problema, a minha recomendação é não passar dos 80 decibéis.

Como não é muito fácil saber a quantos decibéis estamos expostos pelo volume do aparelho, seja ele celular ou tocador de música, o ideal, garantem os especialistas, é não ultrapassar da metade do volume disponível. Uma boa dica é não colocar a música num volume que impeça a audição do som no entorno.

A exposição ao ruído é responsável por 33,7% das perdas auditivas, segundo Domênico, que é coordenador do Encontros O GLOBO Saúde e Bem-Estar. Mas além do alto volume do som, o cigarro afeta a audição. Pesquisas apontam que fumar aumenta o risco de problemas auditivos em 25%.

Para não deixar que o problema chegue a um ponto irreversível, o ideal é não descuidar de hábitos alimentares saudáveis e fazer um check up para acompanhar como está a audição desde pequeno.

- Hoje é lei no Brasil o teste de emissões otoacústicas, que ficou conhecido como o teste da orelinha. É muito importante que todos os recém-nascidos façam esse exame até os três meses de idade para que possamos ter uma informação sobre o risco da perda auditiva. Se constatarmos algum problema grave, outros testes devem ser realizados para que possamos agir com mais rapidez - ressalta Márcia. - A audição é um sentido importante para o desenvolvimento natural da linguagem, porque os surdos desenvolvem a linguagem, mas não da mesma forma. Então se conseguirmos fazer com que a criança com problemas graves tenha um tratamento rápido, facilitamos o desenvolvimento da comunicação normal dela.

Se os problemas que podem acontecer dentro da barriga da mãe merecem atenção, entre os três e os oito anos começam as otites, ou inflamações no ouvido, que também são muito perigosas. É recomendável fazer uma audiometria na criança entre seus quatro e cinco anos, indica Márcia, porque o teste é capaz de identificar se as inflamações causaram algum dano à audição e se poderiam prejudicar o processo de aprendizado de leitura e escrita.

Com o aumento da expectativa de vida da população (segundo o IBGE, em 2041 a esperança de vida ao nascer de um brasileiro deve chegar aos 80 anos), crescem também os problemas ligados à idade. A otoesclerose é uma das principais causas. A doença, que atinge homens e mulheres e normalmente é de origem genética, é causada pelo crescimento anormal de pequenos ossos pertencentes à estrutura do sistema auditivo. Isso é capaz de gerar uma perda gradual da audição, que pode levar meses ou até anos para realmente prejudicar o cotidiano da pessoa. Os primeiros sinais do problema, no entanto, podem aparecer entre os 15 e os 45 anos de idade, ou seja, muito antes da perda auditiva típica do envelhecimento.

- A otoesclerose pode ser tratada cirurgicamente em 98% dos casos. Mas no idoso os maiores problemas mesmo são o da perda gradual da audição - afirma Castro. - Para isso, hoje temos aparelhos muito modernos. Já é possível fazer um equipamento específico para cada paciente, e a grande maioria é imperceptível. O seu uso traz uma transformação fantástica na vida da pessoa afetada pelo problema.

Apesar dos avanços da tecnologia, ainda há muito preconceito com aparelho auditivo, conta Márcia.

- O preconceito existe para todos os tipos de problemas, a gente espera é que isso seja cada vez mais minimizado. As pessoas usam tanta coisa no ouvido hoje em dia, como esses fones gigantes, e têm preconceito em usar um aparelho que vai ajudar? - questiona a especialista. - Eu acho que os óculos no rosto são muito mais visíveis e expostos, então é uma questão de trabalhar isso na cabeça das pessoas. Para as crianças não é um problema, os adultos são mais resistentes.

Para que o aparelho não acabe na gaveta mais rápido do que o normal - em geral a sua durabilidade é de cinco anos -, alguns cuidados são necessários. O principal é proteger a aparelhagem da umidade. Portanto, se estiver chovendo, a dica é retirá-lo da orelha e guardá-lo. Jamais dormir com o aparelho no ouvido e colocá-lo em um desumidificador nos dias de mais umidade também pode ajudar.